Rondônia voltou a aparecer em um ranking nada positivo: o estado está entre os sete menos visitados do Brasil, segundo levantamento recente divulgado pela imprensa nacional. O dado chama atenção não pela surpresa, mas por escancarar um problema antigo — a ausência de políticas efetivas de promoção e estruturação do turismo rondoniense.
O cenário é contraditório. Rondônia é um estado amazônico, com rios imponentes, parques estaduais e nacionais, áreas de floresta preservada, cultura diversa e enorme potencial para o ecoturismo, turismo de aventura, pesca esportiva e turismo de base comunitária. Ainda assim, segue fora das principais rotas turísticas do país.

O problema não está na falta de atrativos, mas na falta de estratégia. Rondônia praticamente não aparece em campanhas nacionais de turismo, tem pouca presença em feiras e eventos do setor e carece de uma política contínua de divulgação. Soma-se a isso a baixa conectividade aérea, dificuldades de acesso a destinos turísticos internos e infraestrutura limitada em regiões com alto potencial.
Turismo não é apenas lazer. É desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda, fortalecimento da economia local e valorização do território. Cada visitante que deixa de vir é uma oportunidade perdida para hotéis, restaurantes, guias turísticos, artesãos e pequenos empreendedores.

O momento exige mais do que diagnósticos e rankings. Exige ações concretas. É urgente a construção de um plano estadual de turismo que inclua:
Campanhas permanentes de divulgação de Rondônia em nível nacional e internacional; Investimento em infraestrutura turística e logística; Parcerias com a iniciativa privada e com órgãos federais de promoção do turismo; Capacitação da mão de obra local; Valorização do turismo sustentável e das comunidades tradicionais.
Rondônia não pode continuar sendo um estado invisível para o turismo brasileiro. Potencial existe de sobra. O que falta é priorização política, planejamento e execução. Sem isso, o estado seguirá rico em belezas naturais, mas pobre em visitantes e oportunidades.
O turismo pode — e deve — ser parte da estratégia de desenvolvimento de Rondônia. Mas para isso, é preciso sair do discurso e partir para a prática.
