A atuação da empresa Mediall Brasil em municípios de Rondônia tem sido marcada por atrasos recorrentes no pagamento de salários de profissionais da saúde, cenário que se repete desde o início de contratos firmados com administrações municipais. Em Nova Mamoré, relatos de profissionais indicam que os atrasos ocorrem de forma contínua, mesmo com cláusula contratual que obriga a empresa a garantir o pagamento dos trabalhadores por até três meses, independentemente do repasse financeiro do poder público.
Desde o início do contrato em Nova Mamoré, enfermeiros e técnicos de enfermagem afirmam que os salários vêm sendo pagos fora do prazo todos os meses, inclusive em períodos em que a Prefeitura estaria com os repasses regulares. A repetição desse problema levanta questionamentos sobre a gestão financeira dos contratos e aumenta a insegurança entre os profissionais.
Outro ponto que chama atenção é o modelo adotado pela Mediall Brasil, que sub-terceiriza parte da mão de obra, contratando cooperativas para fornecer profissionais ao sistema de saúde. Esse formato cria um encadeamento de terceirizações, no qual o serviço público passa por múltiplos intermediários até chegar ao trabalhador final.
Profissionais relatam que esse mesmo modelo de contratação por cooperativas também é utilizado pela Mediall Brasil em outros municípios rondonienses, como Guajará-Mirim e Machadinho d’Oeste, repetindo o padrão de terceirização sucessiva e impacto direto na remuneração e nas condições de trabalho.
Na prática, a cada nova intermediação, o valor pago ao profissional diminui. Técnicos de enfermagem relatam a necessidade de cumprir longas jornadas de plantões para alcançar uma remuneração mínima mensal, o que reforça a percepção de salários baixos e condições consideradas indignas para a responsabilidade exercida.
A combinação de atrasos salariais, descumprimento de cláusulas contratuais e sub-terceirização evidencia um processo de precarização e sucateamento do trabalho na saúde pública, colocando os profissionais em situação de vulnerabilidade financeira e instabilidade constante.
O problema não atinge apenas os trabalhadores, mas também a população que depende do serviço público de saúde. A instabilidade das equipes compromete a continuidade e a qualidade do atendimento, especialmente em municípios do interior, onde a rede já opera no limite.
Em Nova Mamoré, o cenário se agrava diante da proximidade do encerramento do contrato, previsto para o primeiro trimestre deste ano, sem informações públicas claras sobre renovação ou novo chamamento.
Até o fechamento desta matéria, a Mediall Brasil não encaminhou nenhuma nota de posicionamento oficial ao Ponto com Informativo. A reportagem enviou questionamentos ao senhor Josiel Araújo, responsável pela comunicação da empresa, abordando os atrasos salariais, o cumprimento do contrato, a sub-terceirização por cooperativas e o fim da vigência contratual. Foi informado que o tema seria levado à diretoria da empresa, porém não houve retorno efetivo nem posicionamento oficial até o momento.
