O vice-presidente do Partido Liberal (PL) em Rondônia, Bruno Scheid, afirmou que não fará pré-campanha eleitoral enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro estiver preso, deixando claro que sua decisão vai além do cálculo político e está baseada em lealdade pessoal, coerência e princípios.
Em declaração pública, Scheid ressaltou que não se sente confortável em pedir votos ou tratar de projeto eleitoral utilizando o nome de Bolsonaro enquanto o ex-presidente enfrenta restrições judiciais. Segundo ele, a relação entre ambos é de amizade verdadeira, e não apenas de conveniência política.
“Não consigo ir às ruas pedindo voto, falando de Senado, enquanto uso o nome de um homem que hoje está preso. Nada contra quem faz diferente, mas eu sou amigo de verdade”, afirmou.
Divergências internas se aprofundam no PL
A postura de Scheid ocorre em um momento de tensão interna no PL de Rondônia e escancara divergências que vão além da estratégia eleitoral. Enquanto parte da direção estadual defende a antecipação de agendas políticas e articulações para 2026, Scheid tem adotado uma linha mais dura e combativa, especialmente no campo ético e disciplinar do partido.
Um dos principais pontos de atrito é a cobrança pública e veemente de Scheid pela expulsão do vereador Jair da 29 dos quadros do PL. O parlamentar está preso no âmbito de uma operação policial que investiga envolvimento com organização criminosa (LCP), fato que, para Scheid, é incompatível com a permanência no partido.
Nos bastidores, Scheid tem defendido que o PL precisa dar uma resposta clara à sociedade e preservar sua imagem, argumentando que silêncio e omissão enfraquecem o discurso de legalidade e combate ao crime historicamente adotado pela legenda.
Inércia da presidência estadual
Em sentido oposto, o senador Marcos Rogério, presidente estadual do PL, tem se mantido inerte sobre o caso, evitando posicionamentos públicos ou encaminhamentos formais sobre a situação do vereador. A ausência de uma decisão concreta tem ampliado o desgaste interno e alimentado críticas de falta de comando e de critérios claros dentro do partido.
Lealdade como linha política
Ao condicionar sua pré-campanha à situação de Bolsonaro e, simultaneamente, cobrar rigor interno no caso Jair da 29, Scheid constrói um discurso baseado na ideia de que lealdade e coerência não são seletivas. Para ele, não é possível defender valores publicamente e relativizá-los internamente.
Analistas avaliam que essa postura pode fortalecer Scheid junto à base bolsonarista mais ideológica, mas também amplia o conflito interno no PL, sobretudo em um momento em que o partido busca unidade para as eleições de 2026.
Cenário em aberto
Com o PL dividido entre pragmatismo eleitoral e discurso de princípios, a posição de Bruno Scheid adiciona um elemento de pressão interna e externa. A condução do caso Jair da 29 e a relação com Bolsonaro devem seguir como pontos centrais de tensão nos próximos meses, influenciando diretamente o futuro do partido e o desenho da disputa ao Senado em Rondônia.
