Rondônia está entre os estados brasileiros que mais receberam repatriados dos Estados Unidos em 2025, um ano que registrou números recordes de retorno de brasileiros ao país no âmbito de operações coordenadas pelo governo federal.
Dados oficiais compilados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) mostram que, entre fevereiro e maio deste ano, 680 brasileiros foram repatriados em sete operações humanitárias, com destino ao Brasil principalmente a partir dos EUA. Desse total, 74 eram naturais ou ligados a Rondônia, ficando atrás somente de estados como Minas Gerais, mas à frente de grandes unidades da federação, como São Paulo e Goiás.
Recorde de repatriações em 2025
O ano de 2025 marcou um forte aumento nas repatriações. Segundo dados preliminares, mais de 3.000 brasileiros retornaram ao país ao longo do ano, praticamente o dobro do registrado em 2024. Esse movimento é resultado direto de operações de retorno organizadas pelo programa “Aqui é Brasil”, que visa garantir acolhimento humanizado e apoio às pessoas em vulnerabilidade.
Quem são os repatriados e por que retornaram
O levantamento do MDHC aponta que a maioria dos repatriados tem entre 18 e 49 anos, com intenções claras de se reinserir no mercado de trabalho ou voltar a estudar após o retorno ao Brasil. Entre os retornados, a maioria declarou planos de trabalhar (70,6%), enquanto cerca de 19,6% pretendem conciliar trabalho e estudos.
Rondônia, assim como outros estados da região Norte, aparece no ranking de origem de repatriados justamente por concentrar comunidades brasileiras que buscavam oportunidades nos EUA, muitas vezes em condições precárias e sem documentação regular.
Acolhimento e assistência no retorno
As operações de repatriação são coordenadas pelo programa Aqui é Brasil, envolvendo diversos ministérios e órgãos federais, com recepção e apoio a cidadãos brasileiros que retornam. Nos pontos de chegada — como os aeroportos de Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG) — existem equipes de acolhimento oferecendo alimentação, kits de higiene, apoio psicossocial e acompanhamento médico antes do deslocamento final para as cidades de origem.
Além disso, a Força Nacional do SUS já realizou centenas de atendimentos de saúde, incluindo assistência médica, apoio psicossocial e cuidados de saúde mental, a dezenas de repatriados que desembarcaram no Brasil em operações recentes.
Contexto nacional e efeito nas comunidades
O número elevado de repatriados nesse ciclo reflete tanto as mudanças nas políticas migratórias dos EUA quanto o fortalecimento de mecanismos de acolhimento por parte do Brasil. Para muitos rondonienses e brasileiros de outras regiões, o retorno marcou o fim de jornadas difíceis e a necessidade de reconstruir vida e vínculos familiares no país de origem.
