A corrida pelo Governo de Rondônia em 2026 começa a ganhar contornos cada vez mais claros. De um lado, o ex-prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria (PSD), tenta construir a imagem de gestor moderno, eficiente e responsável por avanços na saúde pública de seu município. Do outro, está o governador coronel Marcos Rocha, que decidiu apostar todas as fichas no aliado político para sucedê-lo no Palácio Rio Madeira.
Mas a pergunta que começa a ecoar nos bastidores políticos e entre parte da população é inevitável: como um candidato que se vende como símbolo de eficiência pode carregar nos ombros o apoio de um governo amplamente criticado, especialmente na saúde pública?
Fúria costuma destacar obras, investimentos e melhorias implementadas em Cacoal durante sua gestão, principalmente na área da saúde. A estratégia é clara: vender o modelo administrativo do município como exemplo para todo o estado. Em entrevistas, o pré-candidato afirma que pretende expandir para Rondônia a mesma linha de gestão aplicada em Cacoal.

O problema é que, ao aceitar ser o “candidato da continuidade” de Marcos Rocha, Fúria acaba se conectando diretamente a uma administração estadual marcada por críticas constantes, denúncias de demora em atendimentos, caos em hospitais, filas, problemas estruturais e desgaste político acumulado ao longo dos últimos anos. O próprio Marcos Rocha já declarou publicamente que Fúria seria o nome responsável por “dar continuidade” à atual gestão. E é justamente aí que nasce a principal contradição dessa aliança política.
Se a saúde de Cacoal é apresentada como modelo, como justificar a parceria com um governo estadual que enfrentou sucessivas crises justamente na principal área que mais impacta a vida da população?
A leitura é de que Marcos Rocha desistiu de disputar o Senado porque entendeu o alto desgaste de sua imagem junto ao eleitorado. Embora aliados tentem minimizar, a percepção de rejeição cresce principalmente entre servidores, pacientes do SUS e setores que convivem diariamente com os problemas da saúde estadual.
A aposta em Fúria surge, então, como uma tentativa de manter influência política mesmo após o fim do mandato. Uma espécie de continuidade indireta do atual governo. O próprio Fúria chegou a afirmar recentemente que teria uma gestão “independente”, mesmo com o apoio de Rocha. Porém, na prática, o eleitor tende a enxergar diferente. Afinal, apoio político nunca vem de graça — especialmente quando parte do atual ocupante do cargo.
No fim, caberá ao eleitor decidir se acredita que é possível separar o “modelo Cacoal” do “modelo Marcos Rocha” ou se ambos caminham juntos rumo ao mesmo projeto político para Rondônia.
