
Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) publicado nesta terça-feira (28) aponta que o Brasil se consolidou como um ponto estratégico nas dinâmicas internacionais de contrabando de migrantes, com rotas estruturadas em ao menos 14 estados e atuação de redes criminosas que exploram a extensão das fronteiras, a posição geográfica e a política migratória do país. O diagnóstico, que integra o documento “Contrabando de Migrantes no Brasil: uma análise de inteligência”, é o primeiro levantamento dessa natureza feito no país e traça um panorama sobre o funcionamento dessas estruturas.
Segundo a análise, o avanço dessas rotas está diretamente ligado à atuação de organizações que exploram a vulnerabilidade de migrantes, oferecendo travessias irregulares em troca de pagamento — prática conhecida como contrabando de migrantes. Esse fenômeno expõe pessoas a riscos graves, incluindo exploração, violência e violações de direitos.
Rondônia no radar
No Norte do país, Rondônia aparece como um ponto sensível dentro dessa dinâmica — e com um dado que acende ainda mais o alerta: o estado é atualmente o segundo do Brasil com maior número de brasileiros retornados/deportados dos Estados Unidos.
A posição geográfica estratégica, com fronteiras terrestres e conexão com rotas amazônicas, favorece a circulação migratória — tanto regular quanto irregular.
Nesse cenário, o município de Guajará-Mirim ganha destaque. Localizado na fronteira com a Bolívia, o município se consolida como uma das principais portas de entrada e saída de fluxos migratórios na região Norte.

Fronteira ativa e vulnerável
Guajará-Mirim tem características que ampliam sua relevância no contexto apontado pela ABIN:
- Fronteira seca e fluvial de fácil travessia
- Presença histórica de mobilidade transfronteiriça
- Limitações estruturais na rede de proteção e fiscalização
Esses fatores tornam a região suscetível à atuação de redes criminosas que operam no contrabando de migrantes, utilizando rotas clandestinas para atravessar pessoas entre países.
Desafio para políticas públicas
O relatório reforça a necessidade de fortalecer ações integradas entre segurança, assistência social e saúde, especialmente em municípios de fronteira. A atuação conjunta entre governos e organismos internacionais é apontada como essencial.
Conhecimento para ação
A publicação da ABIN e da OIM não pretende esgotar o tema, mas oferecer um ponto de partida para o fortalecimento de políticas públicas e da cooperação internacional. A publicação também dialoga com iniciativas como o Plano de Ação de Enfrentamento ao Contrabando de Migrantes, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que prevê ações integradas de prevenção, monitoramento, proteção às vítimas e repressão qualificada.
Ao compartilhar conhecimento com a sociedade, instituições governamentais e parceiros internacionais, a ABIN reafirma seu compromisso com uma atuação estratégica e humanitária.
