A crise envolvendo o Hospital Regional Dr. Júlio Pérez, em Guajará-Mirim, atingiu neste domingo um dos momentos mais graves desde o início das denúncias sobre atrasos salariais ligados ao contrato da Mediall Brasil. Trabalhadores da unidade relataram ao JORNAL PONTO COM INFORMATIVO um cenário de colapso operacional, superlotação e risco assistencial dentro do hospital.

Segundo denúncias encaminhadas à reportagem, a equipe de fisioterapia não compareceu até o momento à unidade para iniciar o plantão, diante da falta de pagamento. A situação é considerada gravíssima, especialmente porque a UTI da unidade estaria completamente lotada, sem vagas disponíveis, e depende diretamente de acompanhamento fisioterapêutico diário para manutenção dos pacientes internados.
Sem fisioterapia, profissionais alertam para risco direto à evolução clínica dos pacientes graves internados na terapia intensiva.
Ainda de acordo com os relatos, médicos e profissionais de enfermagem decidiram registrar boletim de ocorrência e formalizar denúncias junto ao COFEN, COREN e CRM, buscando respaldo institucional diante das condições enfrentadas dentro da unidade hospitalar.
Os trabalhadores afirmam que a situação chegou a um nível insustentável e denunciam abandono por parte do Governo de Rondônia e da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), que até o momento não apresentaram soluções concretas para a crise financeira envolvendo os contratos da unidade.
Outro ponto alarmante envolve o controle de infecções. Conforme apurado pela reportagem, o hospital possui atualmente pacientes diagnosticados com tuberculose e Covid-19, mas dispõe de apenas um único leito de isolamento, o que amplia o temor de risco sanitário dentro da unidade.
O cenário expõe não apenas problemas administrativos, mas uma crise que já impacta diretamente a assistência hospitalar, a segurança dos profissionais e a vida de pacientes atendidos no principal hospital da região de fronteira.
Ontem, a Assessoria de Comunicação da SESAU informou que os pagamentos relacionados ao contrato dependem da entrega e análise de indicadores por parte da empresa responsável pela gestão da unidade. No entanto, segundo informações repassadas à reportagem pela própria Mediall Brasil em contato anterior, as documentações e indicadores referentes aos meses de fevereiro e março estariam regulares e entregues à Secretaria. Ainda assim, os pagamentos seguem sem efetivação.

Até o momento, não houve manifestação pública do governador Marcos Rocha sobre o agravamento da crise na unidade hospitalar.
A reportagem também voltou a procurar a Mediall Brasil para questionar sobre a ausência da equipe de fisioterapia, os atrasos salariais e os impactos no funcionamento da UTI, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.
A Assessoria de Comunicação da SESAU informou à reportagem que iria apurar novas atualizações sobre a situação e repassá-las posteriormente. Até o fechamento desta matéria, contudo, não havia novo posicionamento oficial da pasta.
A deputada estadual Taíssa Sousa, apontada como uma das principais defensoras do Hospital Regional de Guajará-Mirim, também foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.
