A resposta oficial da Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (SESAU) sobre os atrasos envolvendo o contrato da Mediall Brasil no Hospital Regional Dr. Júlio Pérez, em Guajará-Mirim, acabou confirmando aquilo que trabalhadores já denunciavam há dias: o Estado ainda não havia concluído o pagamento relacionado ao contrato da unidade.

Apesar do discurso técnico e burocrático apresentado pela pasta, a realidade enfrentada pelos profissionais da saúde é outra. Enquanto a SESAU fala em “tramitação administrativa”, “análise técnica” e “cumprimento de indicadores”, trabalhadores convivem com insegurança financeira, atraso salarial e ausência de respostas objetivas sobre a regularidade dos pagamentos.
A nota enviada pela Secretaria afirma que a nota fiscal do contrato estaria “dentro do cronograma mensal previsto”, com prazo de pagamento até sexta-feira (15). Porém, o próprio teor da resposta evidencia que o repasse ainda não havia sido efetivado, mesmo diante da continuidade integral dos serviços prestados pela unidade hospitalar.
A situação levanta questionamentos inevitáveis: se os serviços não foram interrompidos, se os profissionais continuam trabalhando normalmente e se o hospital segue funcionando em plena atividade, por qual motivo o Estado não garante a previsibilidade financeira necessária para evitar novos atrasos e insegurança aos trabalhadores?
O problema vai além da burocracia administrativa. O caso expõe mais uma vez a falta de responsabilidade do Governo de Rondônia na condução de contratos essenciais da saúde pública. O Hospital Regional de Guajará-Mirim é referência para toda a região da fronteira e depende diretamente da estabilidade operacional para manter atendimentos médicos, internações e serviços de urgência.
Ainda assim, a SESAU não esclareceu objetivamente se havia recursos assegurados para manutenção do contrato firmado durante a gestão do então secretário Cel. Jefferson Rocha, tampouco respondeu de forma clara sobre eventual planejamento orçamentário deixado para garantir a continuidade financeira da execução contratual.
O ex-secretário Cel. Jefferson Rocha foi procurado pela reportagem para comentar sobre a existência de previsão orçamentária e recursos assegurados à época da assinatura do contrato com a Mediall Brasil, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.
Outro ponto que chama atenção é o silêncio político diante da situação. Até o momento, não houve manifestação pública do governador Marcos Rocha nem de parlamentares estaduais, sobretudo a parlamentar que sempre se colocou como a “madrinha” do hospital, sobre os atrasos relatados pelos trabalhadores da unidade.
Após a nota da SESAU afirmar que o pagamento estaria previsto até sexta-feira (15), a reportagem voltou a procurar a Mediall Brasil para confirmar se os valores haviam sido efetivamente pagos aos trabalhadores. No entanto, a empresa também não respondeu até o fechamento desta matéria.
Nos bastidores, cresce a sensação de abandono entre profissionais da saúde, que seguem sustentando o funcionamento do hospital enquanto aguardam definições administrativas e financeiras por parte do Estado.
A SESAU afirmou ainda que os atendimentos seguem normalmente e reiterou compromisso com a transparência. No entanto, para os trabalhadores que dependem diretamente dos pagamentos para manter suas famílias e compromissos em dia, o discurso institucional já não é suficiente para conter o desgaste provocado pela recorrência da crise.
ÍNTEGRA DA NOTA – SESAU
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que a nota fiscal relacionada ao contrato de gestão do Hospital Regional de Guajará-Mirim encontra-se em fase regular de tramitação administrativa para processamento e pagamento, dentro do cronograma mensal previsto, com prazo compreendido entre ontem e esta sexta-feira (15).
A pasta ressalta que os procedimentos seguem os fluxos de conferência, análise técnica e cumprimento dos indicadores estabelecidos contratualmente, etapa necessária para a liberação dos valores.
A Sesau reforça que nenhum serviço de saúde na unidade foi interrompido e que todos os pacientes continuam recebendo atendimento normalmente.
Por fim, a Secretaria reafirma seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para mais esclarecimentos.
