A crise salarial enfrentada pelos trabalhadores do Hospital Regional Dr. Júlio Pérez, em Guajará-Mirim, começa a escancarar não apenas problemas administrativos envolvendo a Mediall Brasil e a Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), mas também o completo silêncio político diante de uma situação que se aproxima de dois meses de atraso salarial.
Em Rondônia, são 24 deputados estaduais. Guajará-Mirim possui 13 vereadores. Nova Mamoré conta com 11 parlamentares municipais. O estado ainda possui 8 deputados federais e 3 senadores. NINGUÉM SABE, NINGUÉM VIU!
Mesmo diante da gravidade do cenário enfrentado pelos profissionais da saúde na fronteira, nenhum parlamentar assumiu protagonismo público na cobrança efetiva sobre os atrasos salariais, os repasses estaduais ou a condução do contrato do Hospital Regional. Enquanto isso, trabalhadores seguem acumulando contas, enfrentando dificuldades financeiras e sustentando o funcionamento da unidade hospitalar sem qualquer garantia concreta sobre quando irão receber.
A indignação cresce principalmente porque os servidores não permaneceram em silêncio. Segundo relatos encaminhados ao JORNAL PONTO COM INFORMATIVO, denúncias já foram formalizadas junto ao COREN, COFEN, Ministério Público e Ministério Público do Trabalho. Até agora, porém, os trabalhadores afirmam não ter recebido nenhum retorno efetivo capaz de solucionar o problema.

Profissionais relatam que, enquanto a crise se agrava, autoridades políticas seguem distantes do debate público e evitam se posicionar sobre um dos maiores impasses já enfrentados pelo Hospital Regional Dr. Júlio Pérez desde sua inauguração.
Nos bastidores, servidores questionam onde estão os representantes eleitos que estiveram presentes em inaugurações, agendas políticas, discursos e publicações oficiais envolvendo a unidade hospitalar, mas que agora permanecem em silêncio diante da crise salarial enfrentada pelos trabalhadores da saúde.
A situação se torna ainda mais preocupante diante das informações já divulgadas pela própria Mediall Brasil, que sustenta estar sem receber repasses estaduais desde fevereiro. Ainda assim, até o momento, não houve manifestação pública contundente por parte do Governo de Rondônia explicando de forma objetiva o motivo da continuidade do impasse.
Enquanto políticos silenciam, trabalhadores seguem na linha de frente tentando manter o hospital funcionando, mesmo sem salário.
