Muito antes de o documento interno da Mediall Brasil começar a circular em grupos de WhatsApp e virar pauta em outros veículos de comunicação, o JORNAL PONTO COM INFORMATIVO já vinha alertando para aquilo que servidores do Hospital Regional Dr. Júlio Pérez, em Guajará-Mirim, denunciavam diariamente: salários atrasados, risco de paralisação, caos administrativo e silêncio absoluto do Governo de Rondônia.
Agora, o comunicado interno da própria Mediall apenas confirma aquilo que trabalhadores já relatavam há semanas — a empresa entrou em colapso financeiro após meses sustentando praticamente sozinha a operação hospitalar sem receber integralmente os repasses da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU).
O documento, assinado por integrantes da direção da empresa, afirma que atrasos e retenções financeiras do Estado acontecem desde agosto do ano passado. Segundo a Mediall, o capital de giro e as reservas financeiras da empresa foram completamente consumidos tentando manter salários, equipes, UTI, serviços hospitalares e funcionamento da unidade mesmo sem o recebimento regular dos valores contratuais.

Desde então, trabalhadores da saúde passaram a viver uma rotina de insegurança, atrasos salariais e abandono institucional dentro de um dos hospitais mais importantes da região de fronteira de Rondônia.
A SESAU limitou-se, durante semanas, a repetir discursos burocráticos sobre “tramitação administrativa”, “análise de indicadores” e “processamento de pagamentos”, enquanto servidores acumulavam contas atrasadas e profissionais denunciavam falta de respostas concretas.
Trabalhadores afirmam que a Mediall segurou a operação até onde conseguiu. Segundo relatos recebidos pela reportagem, a empresa manteve pagamentos, estrutura e funcionamento hospitalar durante meses utilizando recursos próprios, tentando evitar o colapso dos serviços e proteger os próprios trabalhadores dos impactos imediatos da ausência de repasses estaduais.
Mas a conta chegou.

A crise se agravou ao ponto de servidores anunciarem paralisação das atividades após quase dois meses sem salários. Equipes denunciaram a situação ao COREN, COFEN, Ministério Público e Ministério Público do Trabalho. Nas redes sociais, trabalhadores passaram a cobrar publicamente SESAU, Governo do Estado e representantes políticos da região.
E foi somente após a ameaça de paralisação ganhar repercussão que surgiu movimentação política.
Depois de mais de 30 dias sem responder aos questionamentos enviados pela reportagem, a deputada estadual Taíssa Sousa apareceu afirmando que o secretário de saúde teria prometido regularizar os pagamentos até o dia 02.
Até então, silêncio.
A situação também escancara outro problema: o abandono político da fronteira. Mesmo com dezenas de parlamentares estaduais, federais e representantes municipais, nenhum nome assumiu protagonismo efetivo na cobrança pública sobre os atrasos salariais enfrentados pelos trabalhadores do Hospital Regional.
Enquanto políticos priorizam agendas, eventos e redes sociais, profissionais da saúde seguem tentando manter o hospital funcionando mesmo sem salário.
Hoje, o documento interno da Mediall circula amplamente e confirma aquilo que muitos tentaram minimizar nas últimas semanas: o problema não começou dentro do hospital — ele começou na ausência de responsabilidade do Estado em honrar os próprios contratos.
