Enquanto autoridades, políticos e gestores lotam as redes sociais com vídeos, trends e agendas da Rondônia Rural Show Internacional, em Ji-Paraná, trabalhadores da saúde do Hospital Regional Dr. Júlio Pérez, em Guajará-Mirim, seguem enfrentando uma realidade bem diferente: salários atrasados, silêncio institucional e sensação de abandono na fronteira.

A crise envolvendo os pagamentos ligados à Mediall Brasil já ultrapassa três semanas e continua sem respostas concretas para centenas de trabalhadores que mantêm o funcionamento da unidade hospitalar.
Nos bastidores, as versões sobre o impasse se acumulam — e nenhuma delas tranquiliza os servidores.
De um lado, a Mediall Brasil sustenta que não recebeu os repasses do Governo de Rondônia. De outro, profissionais relataram à reportagem que uma cooperativa ligada aos serviços teria informado aos trabalhadores que a empresa não realizou pagamentos porque estaria com contas bloqueadas. Enquanto isso, a Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), que vinha respondendo parcialmente aos questionamentos da imprensa por meio da Assessoria de Comunicação, interrompeu os retornos enviados à reportagem nos últimos contatos realizados.
O silêncio aumentou ainda mais a revolta entre os trabalhadores, principalmente diante da intensa movimentação política e publicitária envolvendo a Rondônia Rural Show. Nas redes sociais oficiais do Governo de Rondônia e de agentes públicos, seguem sendo divulgadas postagens institucionais, vídeos promocionais e conteúdos sobre o evento, enquanto profissionais da saúde denunciam dificuldades financeiras e incertezas sobre os próprios salários.
A situação evidencia um contraste incômodo: enquanto o maior evento do agronegócio do estado domina discursos oficiais e estratégias de imagem, trabalhadores da saúde na região de fronteira seguem aguardando aquilo que deveria ser básico — o pagamento pelo trabalho realizado.
O Hospital Regional de Guajará-Mirim é referência para toda a região e atende pacientes em situação de urgência, internação e terapia intensiva. Mesmo diante da crise, os profissionais continuam atuando para evitar prejuízos ainda maiores à população.
Até o fechamento desta matéria, a Mediall Brasil não respondeu aos novos questionamentos enviados pela reportagem. A Assessoria de Comunicação da SESAU também não retornou os contatos realizados.
